SALA DE SITUAÇÃO ENCERRA ATIVIDADES

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Prefeita Paula Mascarenhas em reunião de encerramento da Sala de Situação – Foto: Gustavo Vara

Depois de 28 dias sediando encontros técnicos e de planejamento, a Sala de Situação, montada no 9º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz), teve as atividades coletivas encerradas na quinta-feira (6). A desarticulação do espaço se deu após o arrefecimento dos níveis das águas, nos últimos dias, dos mananciais que circundam Pelotas, e foi marcada por muitos agradecimentos ao empenho de todas as instituições que integraram a Sala.

Acompanhada da equipe e diante das autoridades, a prefeita Paula Mascarenhas reiterou a importância do espaço durante todo o período e, principalmente, dos dias mais difíceis para as tomadas de decisões. “Hoje é um dia especial e histórico. O último encontro da nossa Sala, que foi o espaço fundamental e extremamente necessário ao longo da crise climática que vivenciamos. Esse espaço cumpriu o seu papel, com o trabalho integrado e de muita união. Vamos continuar conectados, por meio de outros canais, porque se teve algo positivo dessa crise foi o fato que ela aproximou pessoas, entidades e conhecimentos. Agora, precisamos seguir, porque começamos outra fase, a de reconstrução”, salientou, reforçando o agradecimento ao Exército pela cedência do espaço e de toda a mobilização dos efetivos e veículos, à UFPel e toda equipe de especialistas da Universidade, à Defesa Civil estadual, às forças de segurança locais e à equipe de servidores municipais pelo trabalho e dedicação empregados.

Conforme o comandante do 9º BIMtz, tenente-coronel Eduardo Mena Barreto, a integração proporcionada pela Sala, instalada na unidade militar, foi extremamente importante para os resultados positivos durante as operações. “Facilitou sobremaneira os trabalhos. Essa integração ajudou tanto no planejamento como na execução, dando agilidade às ações nas ruas. O Batalhão se preparou para empregar os nossos efetivos nas áreas mais críticas, no transporte de gêneros, equipamentos e profissionais e no auxílio necessário à Defesa Civil”, detalhou.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Regional, coronel Márcio André Facin, o espaço da Sala consolidou, mais uma vez, o resultado do trabalho coletivo e integrado: “A integração, que já era existente no âmbito da segurança pública, se solidificou ainda mais. Outros atores, dos mais variados âmbitos, se aproximaram e, hoje, concluímos essa etapa, mas continuaremos interligados para encontrar novas soluções para tudo que virá pela frente diante dos desafios de reconstrução.”

Além dos espaços disponibilizados pela UFPel para os abrigos, a instituição também integrou a Sala com especialistas de diversas áreas, como Hidrologia, Engenharia Cartográfica, Meteorologia, Economia e Matemática. Para grande parte do corpo técnico de profissionais, foi uma experiência até então inédita, considerando o período e a particularidade da crise climática.

A hidróloga Tâmara Beskow explicou que o trabalho em parceria com o Município começou antes mesmo da abertura da Sala, com a instalação de equipamentos para coleta e monitoramento dos dados. “Para todos nós, foi uma experiência ímpar. Ninguém antes havia atuado numa sala de situação, nem por um dia. Colocar-se nessa condição por 28 dias foi uma experiência gigante, porque, na maioria do tempo, ficamos restritos ao ambiente da Universidade e esse diálogo com o Poder Público, com as forças de segurança, agregou muito na nossa forma de trabalho. Arrisco dizer que um dos momentos mais tensos foi quando a prefeita anunciou as áreas de risco e evacuação imediata a partir dos dados monitorados”, disse, descrevendo a experiência.

Encerramento do sistema de mapas

A prefeita Paula Mascarenhas informou que, a partir das informações dos modelos matemáticos apresentados pelos especialistas da UFPel, os quais fizeram novos prognósticos para o escoamento das águas e o encerramento da crise, dentro de cinco a dez dias deverá ocorrer a redução muito significativa das águas na Colônia de Pescadores Z3 e a volta à normalidade dos níveis da Lagoa dos Patos e do canal São Gonçalo. O retorno aos índices anteriores à crise deve ocorrer no final de junho ou início de julho. Com isso, o sistema de mapas foi alterado, ficando em vermelho apenas as áreas que as pessoas não conseguiram voltar para casa, como Laranjal e adjacências, onde o nível da água ainda está alto. Também foi estabelecido com os técnicos que os mapas vão deixar de ser utilizados e as contenções provisórias poderão ser removidas quando o canal atingir a marca de 2,40 metros – cota considerada prudente e de baixo risco, embora alta.