PELOTAS PERDE GIOVANNI BARUFFA – Podcast

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PELOTAS PERDE GIOVANNI BARUFFA, 94 ANOS.
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O homem que erradicou o Mal de Chagas em mais de vinte municípios do sul do Rio Grande morreu serenamente em sua residência às 22 horas e 30 minutos desta quarta-feira, 12 de janeiro de 2022. Ele cumpriu brilhantemente a missão que lhe foi dada pelo então prefeito de Pelotas Edmar Fetter, nos anos 60.
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NOME CONSAGRADO

Giovanni Baruffa marcou época em Pelotas, consagrou-se no Sul do Estado e brilhou no Rio Grande do Sul. Ele veio da Itália, por iniciativa do Bispo Diocesano Dom Antônio Záttera, e foi demoradamente aplaudido ao receber a “Figueira de Bronze” do Mérito Zona Sul em 1986, diante das mais altas autoridades do Rio Grande do Sul. Era a sinalização do profundo respeito de uma região inteira ao professor e cientista que caiu nas graças do povo.
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VELÓRIO
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O velório do professor Giovanni Baruffa deverá ocorrer entre 11 e 14 horas desta quinta-feira, 13 de janeiro de 2022, no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula. (13 H).

DR. GILBERTO MOURA E REITOR DA UCPEL DR. JOSÉ CARLOS BACHETINNI JR. SOBRE GIOVANNI BARUFFA – Podcast

Nota de pesar – ex-professor da Medicina, Giovanni Baruffa

Médico foi um dos precursores do curso da UCPel, além de ter revolucionado a pesquisa sobre a Doença de Chagas no RS

A Universidade Católica de Pelotas (UCPel), comunica com imenso pesar o falecimento do ex-professor do curso de Medicina, Giovanni Baruffa. O velório ocorre nesta quinta-feira (13) na sala 3 do Cemitério São Francisco de Paula, das 11h30min às 14h30min.

Baruffa, italiano de nascença, formado pela Universidade de Pádua, foi um dos precursores do curso de Medicina da Católica. O médico também se destacou na comunidade científica ao concluir, depois de cinco anos de pesquisas, que a região sul do Estado era, na época, um dos maiores focos da Doença de Chagas no Brasil.

Trajetória na UCPel

O médico iniciou a carreira em uma missão humanitária na Somália (África), onde ficou por cerca de 10 anos. Antes mesmo de retornar do continente africano recebeu o convite do então bispo de Pelotas e fundador da UCPel, Dom Antônio Zattera, para deixar a terra natal e ser docente no sul do Brasil. Em 1964 Baruffa se tornou um dos primeiros professores do curso de Medicina da Católica. No livro “Vida de Médico, Vida Minha”, o ex-professor lembra como respondeu ao chamado de Dom Antônio: “O fato de que o pedido viesse de um bispo de origem italiana, fundador de uma Universidade Católica, tinha peso que não podia ser desprezado”.

Baruffa foi docente da UCPel por 30 anos, tendo feito parte do grupo de professores citados no documento de aprovação do curso de Medicina pelo Ministério da Educação, em 1968. Até os dias atuais é considerado um dos “pilares” da Medicina da Católica, como destaca a coordenadora da graduação, professora Regina Bosenbecker da Silveira.“Ele abriu portas aos nossos alunos Brasil afora, pelo reconhecimento que tinha. Tenho orgulho de que este emérito professor tenha feito a sua escolha por nós”.

Além de formar centenas de médicos, Giovanni Baruffa também foi professor dos cursos de Filosofia e Serviço Social.

Doença de Chagas

Admirado pelos alunos e colegas, o médico italiano, foi titular de várias disciplinas na Medicina, além de ser lembrado como um cientista “revolucionário”. Nas aulas práticas junto aos alunos, ainda na Santa Casa de Pelotas, iniciou a pesquisa sobre a Doença de Chagas. O médico e ex-professor da Católica, Moacir Jardim, lembra que ao provar a existência de casos da doença, Baruffa se tornou  responsável por uma das mais importantes investigações científicas feitas no Rio Grande do Sul sobre a Doença de Chagas.“O legado dele para o curso de Medicina foi como pesquisador. Foi um grande cientista com quem tive o prazer de conviver”, recorda Jardim ao lamentar o falecimento do parceiro de uma década de docência na UCPel.