
O ESPÍRITO VISIONÁRIO DE FRANCISCO
Clayton Rocha*
(A América de dois papas).
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Roma, 8 de maio de 2025. (80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial).
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Simples até: necessitava-se, numa hora de friezas e de superficialidades, de ódios multiplicados e de toda a ausência de acordos, de um missionário autêntico! De alguém que fosse capaz de ir para as ruas e de sentir as dores do mundo, pregando a sinodalidade, essa palavra grega que nos convida a ” caminhar juntos”.
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Jorge Mario Bergoglio o preparou quase anonimamente, aos poucos, e bem longe dos holofotes da Mídia: – Depois de um papa argentino a Igreja das Américas teria um papa diferenciado, (um norte-americano), sim, mas acima de tudo um bispo com nacionalidade peruana, fluente em sete idiomas, nem conservador e nem progressista, mas Missionário consciente de que após a experiência dos últimos 50 anos a Igreja reconhece a necessidade de preparação dos padres, pois a maneira de descobrir Deus não é por meio de espetáculos.
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Hoje não há mais nenhuma dúvida quanto à sintonia fina entre Francisco e Leão XIV lá atrás no tempo: Nos métodos. Na simplicidade. No recolhimento. Na ausência de estardalhaço! Um jesuíta, o outro agostiniano. Dois Missionários. Dois sinais de um Deus da humildade.
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Esse mesmo Cardeal Bergoglio que em seu tempo de Arcebispado demonstrara um profundo respeito pela Igreja peruana, confirmava agora o quanto o seu espírito visionário trabalhara em silêncio: – Era necessário preparar um Papa e ele sabia que em Trujillo a identidade de um agostiniano era a de um homem que acreditava na unidade. E sabia que esse padre estava lá, e que não aparecia na mídia, não escrevia livros e não fazia palestras públicas, mas sim subia a montanha a cavalo para falar em “Quéchua”, o idioma local, com aqueles fieis da região de Lambayeque. E esta era uma das razões que o tornariam, em seus mais de 30 anos de vida peruana, numa espécie de pastor com cheiro de ovelha. (Tudo aquilo que a Igreja de Francisco tanto precisava!).
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Robert Francis Prevost é um homem de proximidade, de misericórdia e de ternura, como queria o papa Francisco, mas também é um homem de exigência! Leão XIV é a ausência de soberba! Não é líder de um poder arrogante, mas de um poder que respeita. Não é líder de um poder que humilha, mas de um poder que inclui. Não comanda um poder que tem pressa, mas que tem paciência. Não é o pouco caso, mas o respeito. Não é o desprezo ao pequeno, mas a Irmandade em Cristo. Não é a força da arrogância mas sim a consciência quanto à fragilidade da vida.
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As testemunhas daquele dia 8 de maio de 2025 na Praça de São Pedro talvez tenham percebido que nem todos se extasiam – como esse sensível Missionário das montanhas – ante um crepúsculo, nem sonham ante uma aurora, nem vibram ante uma tempestade. Pois se Leão XIV nos mostra – nestes seus primeiros 100 dias de pontificado – que a Santidade está no Apostolado, esse gesto engrandece a Igreja e oferece sinais de esperança quanto ao necessário surgimento – neste Século XXI – de uma liderança mundial consistente e diferenciada.
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Bendita seja a América de dois papas!
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*Jornalista e criador do Treze Horas há 47 anos.











