
Escola Bem-Cuidada: o que Porto Alegre está fazendo e por que isso importa para Pelotas
Giuseppe Riesgo*
Quem vive a rotina das escolas públicas sabe que, muitas vezes, o problema não está na sala de aula, no esforço dos professores ou na dedicação das equipes pedagógicas. Está na estrutura, telhados que vazam, manutenção que demora, pequenos consertos que viram grandes dores de cabeça e uma burocracia que consome tempo e energia de quem deveria estar focado no ensino.
Foi para enfrentar esse tipo de realidade que Porto Alegre decidiu implantar a PPP (parceria público-privada) da Escola Bem-Cuidada, uma iniciativa que tem um objetivo claro: garantir eficiência, agilidade e qualidade na manutenção da infraestrutura das escolas municipais. A parceria não muda o conteúdo pedagógico, não interfere no trabalho dos professores e não terceiriza o ensino. Ele atua onde o poder público historicamente falhou: na gestão profissional da infraestrutura escolar. Em vez de cada escola lidar isoladamente com processos lentos e fragmentados, há contratos com metas claras, prazos definidos e cobrança efetiva de resultados. Na prática, isso significa menos tempo esperando por consertos e mais tempo dedicado à aprendizagem. Significa salas de aula em condições adequadas, ambientes seguros, quadras utilizáveis e escolas que funcionam como devem funcionar.
Embora o Escola Bem-Cuidada esteja sendo implantado em Porto Alegre, o debate que ele provoca é absolutamente pertinente para Pelotas. A capital e o interior compartilham desafios semelhantes: limitações orçamentárias, estruturas antigas e uma demanda crescente por serviços públicos de melhor qualidade. Para a população de Pelotas, o exemplo de Porto Alegre com esta parceria, mostra que é possível fazer diferente, sem aumentar impostos e sem ideologia, apostando na gestão, eficiência e responsabilidade, mostra que cuidar bem das escolas não é luxo é condição mínima para respeitar alunos, famílias e profissionais da educação.
O Escola Bem-Cuidada, hoje realidade em Porto Alegre, serve como referência de que boa gestão faz diferença. Cabe agora às demais cidades observarem, avaliarem os resultados e refletirem sobre caminhos possíveis para suas próprias redes de ensino. Porque, no fim das contas, educação de qualidade começa pelo básico bem feito.
* Ex-deputado estadual pelo NOVO e atual Secretário de Parcerias de Porto Alegre











