ARTIGO – UM GESTO DE COVARDIA

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Tite indo para o vestiário após eliminação da seleção brasileira na Copa do Catar (Foto: Reprodução)
Clayton Rocha.

UM GESTO DE COVARDIA!

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Clayton Rocha*
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Alguém capaz de abandonar a tropa na hora da derrota.  Lamentavelmente, um gaúcho! Para vergonha nossa.
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Luiz Felipe Scolari deu-nos o último título mundial, o de 2002. De lá para cá, não conquistamos mais nada: Alemanha 2006, África do Sul 2010, Brasil 2014, Rússia 2018, Qatar 2022.
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Felipão “matou no peito” o doloroso 7 x 1, uma derrota constrangedora, mas recebeu os seus jogadores à beira do gramado e os acompanhou aos vestiários. Estava sangrando, envergonhado, num silêncio sepulcral,  mas não seria capaz de fugir daquele momento dolorosamente humilhante. Registre-se aqui que Luiz Felipe Scolari está num outro patamar de dignidade pessoal e profissional. E seu gesto, à época, nos fez rever  aquela louvável sentença de Shakespeare: – Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colmeia com medo de ser picado. (CR)
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*Coordenador do Treze Horas desde 6 de novembro de 1978.
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Ana Paula Henkel.

Comentário da ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica, ANA PAULA HENKEL: 

“Não há nada mais comum no esporte do que as derrotas e as dores, lágrimas e lições que elas trazem. Derrotas fazem parte do próprio contexto do êxtase que existe nas glórias.
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Para mim, com mais de 20 anos dedicados ao esporte, o que não é aceitável é a suprema covardia de quem abandona seus comandados, de quem, em um rompante narcisista e egoísta, abandona seus soldados em campo depois de uma batalha perdida.
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O que Tite, técnico da seleção brasileira de futebol fez hoje depois da eliminação para a Croácia na Copa Mundo, é o degrau mais baixo que um técnico ou dirigente pode cruzar: o abandono de campo com seu batalhão ainda preso na trincheira pelas lágrimas, frustração e tristeza diante da derrota.
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Eu poderia tentar elucidar de maneira mais elegante e não tão direta o que penso sobre o abandono de campo – e de seus jogadores ainda em campo – de Tite, mas não vou dourar pílula alguma: Tite é um covarde e o Brasil, apesar de brilhantes jogadores, perdeu para um técnico arrogante e covarde.
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O esporte, assim como a vida e, por isso, profundas lições aprendidas ali são carregadas por onde você caminha, não premia covardes porque a covardia é repugnante, abjeta e inesquecível. E é exatamente nas derrotas que os covardes mais aparecem.
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Tite deveria aprender com o técnico da seleção japonesa, também eliminada pela Croácia nos pênaltis. Após a frustrante e dolorosa eliminação, ele foi até a torcida, agradeceu com o tradicional gesto japonês, voltou ao meio do campo, falou com o grupo que estava unido em um círculo e depois cumprimentou cada um dos jogadores com lágrimas e gratidão nos olhos.
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No esporte, há uma GIGANTESCA diferença entre ser um técnico ou um comandante e ser um LÍDER. Líderes deixam lições e memórias que você carregará para a eternidade.
Lições de companheirismo, lealdade, princípios, ética.
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Valeu, meninos. Valeu, Neymar. Vocês lutaram como puderam, mesmo sem um comando digno da entrega de vocês.
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