ARTIGO – UM ANO: HERMES, MISSÃO CUMPRIDA!

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Com altos méritos
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Por Clayton Rocha
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Um ritmo de trabalho alucinante, dois celulares permanentemente ligados e sempre percorrendo as estradas do Rio Grande por entender a importância do contato olho no olho com os associados da FARSUL. Ele não gostava do distanciamento imposto pelos gabinetes, nem do isolamento daquele que detém um cargo importante porque os problemas estão sempre do lado de fora! Esse é o retrato de Hermes Ribeiro de Souza Filho.
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Viveu guerreando, morreu guerreando! Deu combate à doença durante intermináveis setenta e dois dias no interior de uma UTI, e mesmo em seus momentos de lucidez, sem apresentar queixas. Ao ser entubado, diante da hesitação da enfermeira, disse-lhe:- Minha filha, faça o que deve ser feito. Eu a partir deste momento estou entregue a vocês e seja o que Deus quiser.
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Nossa amizade é muito antiga, e dela nasceu uma rede de trinta e cinco rádios, esta mesma rede que promoverá as próximas “12 Horas Científicas” do sete de julho, transmissão inédita que servirá para homenagear a sua memória. Sebastião, Clayton e Hermes sempre foram inseparáveis. Quando se especulava, maldosamente, que eu ficaria sem um microfone de rádio para trabalhar depois de cinquenta anos dedicados a uma só emissora, eles riam disso, acrescentando sempre: cinco rádios aguardam por ti! Mas nós os dois também sabemos que não costumas mudar nem de barbeiro.
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Sebastião e eu daremos continuidade aos projetos e aos sonhos do Hermes, e já tratamos disso. A palavra de ordem nesta curta vida é seguir adiante! Custe o que custar. Até mesmo porque sabemos que tudo passa, e que nada é para sempre.
Hoje ouviremos o último recado do Hermes. Ele estava em Canguçu, há oitenta dias, e deveria falar sobre a estiagem histórica, mas não o fez. Despediu-se! Falou de nossa amizade, das parcerias, do significado regional do 13 Horas e da profunda emoção que sentia naquele instante. Naquele seu surpreendente momento de despedida, a todos nós emblemático, até na voz ele demonstrava sinais intensos de afeto e de profunda crença nos valores superiores da amizade elevada.
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Esse é o Hermes que ficará guardado para sempre nas minhas melhores lembranças, um Hermes de voz forte e de gargalhada marcante, movido a desafios, sempre intenso em seus gestos e em seus sinais de devoção ao próximo. Vivia livre em suas andanças pelos campos e nas estradas de chão batido e de asfalto, pelos planaltos e planícies deste Rio Grande que ele tanto amava. Compreendia que onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos, pois esses é que são a essência viva da alma. Ele sonhava sempre o impossível e terá, a partir de agora, a missão de desbravar os seus novos e insondáveis caminhos. Deus te proteja, irmão! (CR)
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Pelotas, 10 de junho de 2020.