ARTIGO – TRAGÉDIA GAÚCHA – POR UMA SAÍDA DIGNA

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Montes Claros/MG – 31/05/2024

TRAGÉDIA GAÚCHA – POR UMA SAÍDA DIGNA

Ivon Carrico*

Não sou favorável ao revisionismo histórico (como está na moda). Mas – por exemplo, no Brasil – como celebrar a saída da Senzala para a Favela, no 13 de maio? Seria, então, a Abolição da Escravatura um significativo marco histórico?

Àquela ocasião não houve o mínimo pudor e preocupação dos detentores do Poder em acolher e abrigar aquela multidão alforriada. Largados à própria sorte a saída, então, não poderia ter sido outra: indigna e desonrosa. Daí a extensa dívida do Estado brasileiro com esse segmento social.

Por sua vez, quando do final da II Guerra Mundial, os prisioneiros do antigo Campo de Concentração Nazista de Auschwitz, na Polônia, e demais Centros de detenção clamaram pela ‘ausgang’ (saída), mas, também, não a encontraram. Somente, muito depois…

Já, hoje, Gaza é uma terra arrasada. O Governo do Primeiro-Ministro Benyamin Netanyahu, de Israel, ignora os apelos da comunidade internacional por clemência. Esse infame conflito iniciado pelos Terroristas do Hamas parece não ter fim. E, tampouco, não há qualquer perspectiva para o povo palestino. E, se houver, será igual à saída das nossas senzalas.

Voltando à esta Terra de Santa Cruz, qual será – então – a saída para os milhares de desabrigados da tragédia climática gaúcha? Seria inconcebível, passados esses trágicos dias, deixar essa multidão desassistida.

Nesse momento, tão duro, não pode haver espaço para qualquer proselitismo político ou ideológico. E, muitos menos, para embates despropositados. Precisamos, mais do que nunca, de uma saída digna e honrosa.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 31/05/2024