ARTIGO – TEMPOS MODERNOS

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TEMPOS MODERNOS
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Ivon Carrico*
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Alguém viu ou leu acerca do famoso filme “Tempos Modernos”, do Charles Chaplin, lançado em 1936? Um clássico da cinematografia mundial?
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O Chaplin, um artista de muitas artes, foi pródigo em mostrar e denunciar o aviltamento da condição humana em suas inúmeras faces. Para expô-las, em especial, recorria à Sétima Arte.
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Esse filme retrata a vida numa perspectiva que se anunciava, onde a produção industrial em série surgia e se mostrava um trunfo para a redução de custos e o consequente favorecimento do consumo. Mas, impunha – entretanto- árdua sobrecarga laboral ao operário, em um tempo de inexistência ou quase de políticas públicas de proteção ao trabalhador.
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Esse frequente olhar do notável artista britânico lhe trouxe, todavia, muitos incômodos em terras americanas.
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Com a onda do “macarthismo” que varria os USA, na década de 50, se viu obrigado a deixar os estúdios de Hollywood e a retornar para a Europa. Chaplin era acusado de implantar o ideal comunista nos seus filmes e de criticar o capitalismo.
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Macarthismo é um termo atribuído ao Senador republicano Joseph McCarthy que promovia acirrada militância em desfavor de comunistas que ele enxergava em inúmeros segmentos da vida americana.
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Um claro subproduto da Guerra Fria que se prenunciava e que dividiria o mundo em dois blocos: um Capitalista, outro Socialista. Aquele capitaneado pelos Estados Unidos, este pela finada União Soviética.
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Em decorrência desses novos processos industriais, como o filme predisse, àquela época uma nova ordem política e econômica se afirmou. E, consideráveis mudanças nas relações humanas, sociais e trabalhistas, dentre outras, ocorreram.
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Amparado nessa premissa podemos contextualizar, então, a vida presente e – assim – ousar e afirmar que essa Pandemia está a causar – também- fenômeno análogo àquele da primeira metade do Século passado, pois diante de tantas dificuldades e visando a adequação a esses novos tempos a Internet está fazendo a diferença.
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Nesse cenário estão emergindo dois ‘players’. Um novo, o Império do Meio, como se denominava a China e o colossal Império do consumo, os USA.
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O embate desses dois gigantes já mudou a geopolítica e a correlação de forças e, em decorrência, novas relações comportamentais, também,  surgirão surpreendendo o mundo.
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A aldeia global se configurará,  como profetizou o filósofo canadense McLuhan, precursor das transformações sociais advindas do uso intensivo das novas tecnologias.
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Mas – mesmo assim – ainda estaremos a distâncias galácticas da justiça social. Como no filme do Chaplin.
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*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. (Brasília, 10/06/2021)