ARTIGO – POR MAIS TOLERÂNCIA

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POR MAIS TOLERÂNCIA

Por Paulo Gastal Neto*

Especialistas têm mostrado um crescente interesse pelo estudo das relações entre integrantes de uma mesma família nesses tempos de pandemia. A falta de uma boa e saudável integração estão provocando rupturas sociais que extrapolam o seio familiar e recaem sobre amigos, colegas de trabalho, parentes e até mesmo nas relações extras-muros como as de cunho institucionais (autoridades, médicos e tantos outros profissionais).

A reclusão e por conseguinte a leitura, a TV, o computador, enfim um recolhimento, uma auto avaliação, podem gerar uma introspecção de momento que deve ser respeitada pelos que nos cercam. Talvez essa retirada de cena amenize ou até evite o início de uma comorbidade que por ventura esteja silenciosa. Ter em mãos um bom livro num fim de semana ou feriado prolongado, talvez seja o melhor que se possa fazer nestes tempos de pandemia e de agressões pessoais, verbais, de todos os tipos que nos deparamos, principalmente nas redes sociais e até mesmo entre nossos próximos, surpreendentemente. Causa espanto a incompreensão e a tentativa de tutela daqueles que não entendem que existem os que se sentem melhor reclusos e cumprindo algum isolamento, dentro do possível. E qual a melhor maneira de fazê-lo? Cada um escolhe a sua. Quem sabe ler? Ler requer reclusão, um pouco de confinamento e distância. Outros as séries de TV e ainda há aqueles que se dedicam às plantas e aos jardins. Os que pensam na arte culinária, enfim uma infinidade de alternativas que nos rondam quando estamos assolados pela máxima: ‘fique em casa”!

A pandemia trouxe efetivamente mudanças nos relacionamentos gerando dificuldades de convivência entre pais, cônjuges e filhos. Um maior tempo juntos, que poderia ser algo positivo, requer desafios a serem superados. E o principal elemento a ser introduzido na receita deste novo tempo é a tolerância! As pessoas necessitam perceber a complexidade do contexto pandêmico que estamos vivendo e compreender a individualidade de cada um mediante seus impactos em várias áreas da vida: social, profissional, financeira, emocional, entre outras.

Inevitavelmente, isso tem afetado não apenas os sujeitos individualmente, mas a família e seu respectivo relacionamento. Se há o desejo de cada indivíduo contribuir para a construção de um ambiente familiar harmonioso e sadio, há a imperiosa necessidade de resiliência e buscar compreender o outro, ajudá-lo e, quando necessário, perdoar. E o primeiro passo para essa convivência está numa só palavra: tolerância! Tolerância a individualidade de cada ser. O instinto nos ensina: chegamos ao mundo sozinhos e vamos embora dele sozinhos. Tolerância a individualidade neste momento é um bem que cada um faz ao próximo.

*Radialista e editor do site www.pelotas13horas.com.br