ARTIGO – ESSE INESQUECÍVEL DIÁRIO POPULAR!

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ESSE INESQUECÍVEL DIÁRIO POPULAR!
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Clayton Rocha*
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Confesso aqui, caro leitor, e sem nenhum tipo de constrangimento, que senti vontade de chorar no dia de hoje. Estou abalado demais e entristecido. É muito difícil de acreditar no encerramento das atividades do DIÁRIO POPULAR de Pelotas. Aos 17 anos de idade, lá na Redação do DP, aprendi a escrever e a dedicar os meus textos à Cidade de Pelotas.
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Clayr Lobo Rochefort era o meu chefe e um ritmo alucinante de trabalho levou-me ao rádio e às andanças pelo mundo em jornadas desenvolvidas em parceria com o nosso velho DP. A título de lembrança, numa alta madrugada romana, em 1978, via telex, escrevi uma página inteira ao DP intitulada “ 3 papas em apenas 3 meses em 2000 anos de história da Igreja”. Era o dia 17 de outubro de 1978, logo depois da eleição de João Paulo II. (Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II marcaram a história daquele ano surpreendente).
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Pois uma dolorosa pergunta se impõe na noite de hoje: Cadê a reação de uma comunidade inteira diante destes acontecimentos até então inimagináveis nos meios jornalísticos e radiofônicos?
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Nós, pelotenses, estamos nos abandonando de vez? Esse levante necessário, além de urgente, não dependerá de uma atitude coletiva, numa tomada de posição capaz de frear essa onda de revezes e de desesperanças que se instalou em nossa amada terra?
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Silenciaremos? Aceitaremos sem nenhum tipo de reação esses sinais de desesperança cujas nuvens escuras insistem em privar-nos dos raios generosos do Sol? Ou estamos nos tornando – e miseravelmente – zumbis mudos, cegos e surdos perambulando pelas ruas da nossa cidade?
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A carta assinada pela Virgínia Fetter, franca, corajosa e carregada de verdades, retrata a crueldade desta hora para a mídia impressa, mas também serve como um convite ao debate elevado e necessário a partir desta hora. Afinal, ficaremos indiferentes ou reagiremos às bordoadas da vida ora centradas em nossa cidade? Nos abandonamos de vez? O rótulo de Zumbis indiferentes será a nossa marca para sempre? Não estará faltando atitude coletiva? Vinda primeiramente das vozes de comando, em nome de uma suprema urgência?
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Dom Antônio Záttera disse ao presidenciável JK:- Eu quero uma Universidade Católica para Pelotas. E teve como resposta: Se eu for eleito, o senhor terá a sua Universidade.
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O que está faltando agora, caro leitor? Não será atitude? Capaz de frear retrocessos, de elevar a nossa auto estima, de “fincar o facão no toco”, de arregimentar forças capazes de gritar um sonoro“ basta” diante de nossa paralisia coletiva.
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Não estamos, afinal de contas, vivendo até mesmo um ano eleitoral? Pois que o discurso mude, que a conversa fiada seja substituída pela indignação e pela coragem, e que o arrojo acabe de vez com o descompromisso, pois Pelotas depende de ousadias coletivas para reencontrar-se consigo mesma, voltando a honrar as mais belas páginas de sua própria história, por sinal escritas por vultos notáveis e diferenciados. (13 H).
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*Jornalista e coordenador do Treze Horas