
CONSTRUINDO CAMINHOS
Neiff Satte Alam*
“O corpo de ensino tem de chegar aos postos avançados do mais extremo perigo, que é constituído pela permanente incerteza do mundo”. MARTIN HEIDEGGER
A nossa contribuição com a construção de uma nova visão de educação está no entendimento de que os caminhos já perseguidos são a esteira dos novos caminhos; o esforço, a criatividade dos que nos antecederam não pode se constituir em obstáculo para a busca do novo; o olhar diferente dos que fizeram as primeiras estradas deve servir de farol para iluminar o horizonte de um novo olhar.
É com humildade, não com orgulho, que temos que utilizar como aprendizado as experiências que, jogadas na incerteza do caminho, apontam os erros que não deveremos cometer e nos dão meios para enfrentamento de novos erros e segurança para percorrermos as trilhas incertas: “Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza”.
Só poderemos apossar-nos de ideias novas e que nos levem aos caminhos de uma nova visão se completar os ciclos que nos trouxeram até esse momento. Temos, esta é nossa realidade, que completar este ciclo, tirar dele as lições certas, avaliando seus resultados, traçando caminhos novos, a partir de uma nova leitura da realidade. A partir daí, teremos uma nova ordem, novas ideias.
Esta nova leitura poderá e deverá ser feita sob o ângulo da realidade e história de cada um de nós, não será igual, mas será forte se soubermos conectar cada uma delas em um conjunto construído com a força da colaboração e da cooperação.
A nossa missão enquanto professores, pois se trata de uma missão, não se resume ao ato de transmitir meros conhecimentos, mas de reformar o pensamento e de regenerar o ensino.
Dentro desta nossa missão de ensinar está definida nossa responsabilidade sobre a preparação das mentes para que dêem resposta pronta aos desafios impostos ao conhecimento humano em face a crescente complexidade dos problemas; “…preparar as mentes para enfrentar as incertezas que não param de aumentar, levando-as não somente a descobrirem a história incerta e aleatória do Universo, da vida, da humanidade, mas também promovendo nelas a inteligência estratégica e a aposta em um mundo melhor”. (MORIN, 1999)
Despertar no estudante a fé na cultura e a fé nas possibilidades do espírito humano de forma prazerosa e com amor é o grande desafio para nossas instituições de ensino, passaremos a ter uma nova visão que nos encaminhará para uma conexão da explicação pura e simples com a compreensão humana.
Temos que desafiar, nesta nova visão, os caminhos incertos da pós-modernidade, … “ O corpo de ensino tem de chegar aos postos avançados do mais extremo perigo, que é constituído pela permanente incerteza do mundo”. (MARTIN HEIDEGGER)
Nós professores teremos que retomar o controle do aprender em todas as suas dimensões; devemos interiorizar, em um primeiro momento, todo o aprendizado a que fomos sujeitos durante nossa vida profissional para dentro do grupo do qual fazemos parte, que são os educadores; finalmente, reunindo todas as ideias, pensamentos e conhecimentos, mais ou menos interligados, mais ou menos elaborados, possamos construir um projeto de ação pedagógica a altura de nossa instituição e compatível com a nossa história junto a todas as escolas em que atuamos. O conhecimento, que com certeza já detemos, e com a consciência de que a “vontade faz o caminho” nada mais nos resta fazer senão por mãos-a-obra e construirmos um projeto interativo, absolutamente relacional, que nos desperte para o século XXI.
*Biólogo, Professor de Biologia e Especialista em Informática na Educação. Participa do Treze Horas desde a sua criação, em 1978











