
A UFPel e o combate ao agro: quando a universidade se desvia da sua missão
Por Giuseppe Riesgo*
Nesta ultima semana, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi palco de uma polêmica que precisa ser debatida com seriedade. Durante a abertura da XII Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, o evento adotou como mote a frase: “Defender a vida, combater o agronegócio”. A escolha desse slogan é profundamente equivocada e carrega consequências graves. O agronegócio não é inimigo da vida ao contrário, é justamente quem garante alimento na mesa dos brasileiros, sustenta milhões de empregos e impulsiona a economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Associar o agro à morte é, no mínimo, um ataque injusto e ideológico a um setor que responde por mais de 25% do PIB nacional.
É fundamental destacar que a universidade deve ser um espaço de debate plural, aberto e democrático. Questionar modelos de produção é legítimo, mas transformar a crítica em “combate” institucionalizado ultrapassa o limite da liberdade acadêmica e se aproxima de discurso de ódio contra produtores que trabalham de forma legal, recolhendo impostos e sustentando o desenvolvimento do país. Pior ainda: estamos falando de uma instituição pública federal, financiada por todos os brasileiros. Nesse contexto, o mínimo que se espera é a observância da impessoalidade e do equilíbrio, e não o uso do espaço acadêmico como palanque político para movimentos alinhados ao governo de plantão.
A própria Faculdade de Agronomia da UFPel, a mais antiga do Brasil, já manifestou preocupação com os efeitos desse episódio sobre sua reputação. Muitos alunos vêm de famílias ligadas ao campo e podem se sentir desrespeitados ou desestimulados diante de discursos que demonizam a atividade de seus pais e avós. Isso sem contar o risco de afastar parcerias e investimentos, fundamentais para a pesquisa e a extensão universitária. O episódio também não é isolado. Assim como ocorreu com a Embrapa Clima Temperado, que chegou a divulgar um evento cujo “principal desafio” seria o enfrentamento ao agronegócio, vemos uma tendência clara de aparelhamento ideológico em instituições públicas. É a tentativa de transformar órgãos que deveriam servir ao interesse da sociedade em braços de movimentos políticos e partidários.
Não se trata de calar vozes críticas ou impedir debates acadêmicos. Trata-se de impedir que a universidade, que deve servir a todos, seja usada para atacar de forma institucionalizada um setor estratégico e essencial. O agronegócio não é inimigo: é aliado do desenvolvimento, da inovação tecnológica e da segurança alimentar do Brasil. É preciso dar um basta na instrumentalização político-partidária das instituições públicas. A UFPel e todas as universidades federais têm a missão de formar cidadãos, produzir ciência e gerar soluções para os desafios do país. Quando se deixam capturar por ideologias radicais, perdem legitimidade e se distanciam da sociedade que as sustenta. O Rio Grande do Sul é forte porque o campo é forte. E defender o agro é defender a vida, a liberdade e o futuro do Brasil.
* Ex-deputado estadual pelo NOVO e atual Secretário de Parcerias de Porto Alegre











