O teatro mais antigo do Rio Grande do Sul retoma atividades na gestão do prefeito Fernando Marroni depois de quase duas décadas fora do circuito cultural do município
Fim da longa espera. Depois de fechado por intermináveis 16 anos, perspectivas frustradas de reabertura e R$ 11 milhões em investimentos (mais de R$ 2,2 milhões apenas no primeiro ano da atual gestão municipal), o principal bem cultural do município volta à cena. O Sete de Abril reassumiu na noite desta terça-feira (7) o papel de teatro mais antigo do Estado – o quarto do país em funcionamento. Tombado em 1972 pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Sete, como é chamado pela população habituada a frequentá-lo, foi oficialmente devolvido ao povo pelotense pelo prefeito Fernando Marroni como principal presente dos 214 anos da cidade. A cerimônia contou com descerramento de placa alusiva, homenagens aos trabalhadores que participaram da reta final das obras, show de Vitor Ramil, que contou com participação do seu filho, o também músico e compositor Ian, e, na esplanada Berê Fuhro Souto, em frente ao Theatro, discotecagem com a DJ Helô. E esse foi só o começo. Até domingo, o espaço será movimentado com atrações da tradicional Semana de Pelotas (confira a programação nesta matéria).

“Quando me perguntam sobre como vamos manter esse teatro eu respondo que é ocupado, vivo, se ele estiver assim tenho certeza que vamos mantê-lo como o que ele de fato é, um grande patrimônio da cultura de Pelotas”, disse o prefeito Fernando Marroni, na abertura de sua fala. Marroni destacou que o Sete de Abril é parte da história de muitos pelotenses, que nele tiveram seus primeiros contatos com as artes cênicas, com a música, com a dança e com o cinema. “Minha primeira experiência com teatro foi aqui, ainda criança, trazido pelas mãos da minha mãe, mais tarde vinha ao cinema, e foi aqui também que fui empossado prefeito”, relembrou. O chefe do Executivo resgatou ainda momentos de sua primeira gestão, quando, em março de 2001, retomou o espaço, que também estava fechado, com o espetáculo O Sete abriu – que levou ao palco desde música erudita, com o então pianista Gabriel Victora, a carnaval, com o bloco burlesco Bruxa da Várzea.
“Tenho a sorte de estar presente em momentos importantes do teatro e da recuperação da autoestima da nossa cidade – que nasceu sobre os pilares da cultura e continua com sua efervescência cultural até hoje, na dança, com a Diclea [Ferreira de Souza], com o circo, como o Tholl de João Bachilli, com a Sociedade Música pela Música, parabéns Pelotas, estamos comemorando este aniversário com este presente que é parte da nossa alma e da nossa história.”

A fala do prefeito fechou a série, aberta com Alexandre Mattos. O diretor do Theatro garantiu que o espaço vai funcionar em quatro eixos: formação de plateias, ocupação artística, geração de trabalho e renda e preservação do patrimônio. “O Theatro Sete de Abril é um dos mais importantes equipamentos culturais do Brasil, cuidar desse espaço é garantir que futuras gerações também possam viver as emoções que tantas gerações viveram aqui.”
A secretária de Cultura Carmem Vera Roig lembrou da formação da Secretaria de Cultura, em 2001, substituindo a então Integrasul, na primeira gestão de Marroni. Rememorou que participou da conversa para criação da sigla da pasta – Secult – com a então secretária, Renata Requião, também presente na cerimônia de reabertura na noite desta terça-feira. “Tenho a honra de 25 anos depois representar aquela ideia, e faço isso em nome de todas as pessoas que integram a Secretaria Municipal de Cultura, nenhuma grande realização acontece sozinha, e se hoje o teatro volta a abrir suas portas, é porque muitas pessoas acreditaram que ele precisava ocupar o lugar que sempre foi seu.”

Representando o procurador-geral do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Alexandre Saltz, o promotor José Antônio Zachia Alan quebrou o protocolo ao se referir ao também promotor Paulo Charqueiro por seu histórico na defesa do patrimônio cultural do município. “Neste aspecto foi um professor para todos nós, promotores, nos ajudou a compreender que o papel no Ministério Público não é só perseguir criminosos, mas também perseguir soluções junto às administrações, e somos profundamente agradecidos à administração municipal de Pelotas por nos ter permitido participar com recursos financeiros na retomada das atividades do Sete de Abril.”
Para o secretário estadual de Cultura, André Krizú, que foi ao evento como representante do governador Eduardo Leite, o Sete de Abril vai muito além dos limites de Pelotas. “Esse espaço hoje reabre suas portas graças a um esforço conjunto dos três entes da federação e do Ministério Público, resultado do trabalho de muitas pessoas e instituições que compreenderam que preservar uma estrutura dessa magnitude é também integrá-la à comunidade e as suas tradições com toda a sua potência.”
A coordenadora do escritório estadual do Ministério da Cultura (MinC) no Rio Grande do Sul, Patrícia Affonso, ressaltou que poucos presentes poderiam representar tão bem o aniversário de uma cidade. “A reabertura do Sete de Abril simboliza o reencontro da cidade com a sua história, que durante dois séculos acolheu artistas, formou plateia e emocionou gerações, esta noite celebra também o compromisso permanente com a preservação do patrimônio cultural brasileiro.”

Primeiro ato
Antes, Marroni, a vice-prefeita Daniela Brizolara, Carmem Vera Roig e Alexandre Mattos descerraram no hall do Theatro uma placa alusiva à reabertura com o seguinte texto: “De volta à sua cidade. Símbolo da memória, da arte e da identidade de Pelotas, esse teatro histórico reabre suas portas para que a cultura volte a ocupar seu lugar de encontro, emoção e pertencimento. Que as luzes deste palco iluminem novas histórias e mantenham viva a paixão pelotense pela arte.”
A atração seguinte foi sobre o palco, onde um pequeno elenco de trabalhadores da portaria, da elétrica e da limpeza recebeu das mãos do prefeito uma foto de cada um atuando nos dias que antecederam a reabertura.
Semana de Pelotas no Theatro
A retomada do Theatro Sete de Abril continua ao longo da Semana de Pelotas. A agenda, sujeita a alterações, é a seguinte*:
Quarta-feira (8)
20h – “Bate pra sua patota que hoje vai ter circo” – Grupo Tholl
Quinta-feira (9)
20h – 1º Ato do balé La fille mal gardée – Ballet Diclea Ferreira de Souza; e Impulso (Grupo Ballet de Pelotas)
Sexta-feira (10)
15h – Concerto “Música que forma, transforma e celebra!” – Orquestra Estudantil Municipal de Pelotas
Sábado (11)
19h – Cantos Sagrados e Populares – Grupo Ojuobá
20h – Óperas e clássicos populares – Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM)
Domingo (12)
17h – Show com a banda Preto de Sapato
*Ingressos devem ser retirados a partir das 9h desta quarta-feira (8) – até dois por pessoa











