ARTIGO – O ATAQUE AMERICANO À VENEZUELA

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O ATAQUE AMERICANO À VENEZUELA

Ivon Carrico*

Ainda hoje, o destaque na mídia impressa e eletrônica é esse ataque e a aparente deposição do Ditador Nicolás Maduro.

Bem, a questão é complexa. Muitos governantes – mundo afora, em face da afinidade ideológica – interpretam isso como uma afronta à Carta da ONU e ao Direito Internacional. É o caso da Rússia, Irã, Colômbia e, do governo brasileiro.

Já, no outro extremo desse mesmo espectro ideológico, o fato é celebrado em face da falta de legitimidade do Governo Maduro, das perseguições aos opositores e da extrema pobreza da população.

Por sua vez, é latente a incoerência do governo brasileiro, eis que – ao mesmo tempo em que não reconheceu a legitimidade da ‘eleição’ do Maduro, no ano passado, para mais um Mandato – classifica esse ataque como uma afronta. Ou seja, infere-se – então – da suposta legitimidade do Maduro para permanecer e se perpetuar no Poder??!!

A extrema Direita, também, é incoerente, pois – ao mesmo tempo em que celebra a ascensão do Bukele, em El Salvador, um aprendiz de Ditador que, agora, alterou a Constituição daquele País para se eternizar no Poder – celebra a deposição do Ditador Maduro.

Os Estados Unidos, também, tem um péssimo histórico de incoerências e interferências. Basta ver a promoção de Ditaduras retrógradas ao Sul do Equador, durante o período da Guerra Fria; a invasão do Vietnã e, também, a do Iraque, quando mentiram acerca da existência de armas químicas para justificar aquela invasão e a deposição do Saddam Hussein.

Lembram da polêmica saída do Embaixador José Maurício Bustani a frente da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, quando confrontou o Governo Bush sobre essa versão da existência das armas químicas?

Assim, é complicado e complexo falar em legalidade e legitimidade para justificar esses fatos. Por exemplo, o Hitler tinha legalidade e legitimidade, pois não fora imposto, em 1933, eis que eleito pelo povo alemão, nas regras então estabelecidas. Então, o Hitler jamais poderia ter sido defenestrado do Poder?

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília – 06/01/2026