ARTIGO – O FIM DAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES

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Projeto que define fim das cotas raciais em SC foi aprovado em plenário na quinta-feira (11). Foto: Daniel Conzi/Agência AL/ND Mais

O FIM DAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES.

Ivon Carrico*

Esta semana o Brasil tomou conhecimento da polêmica Decisão da Assembléia Legislativa de Santa Catarina que proíbe o uso das cotas raciais, tanto para o ingresso de novos estudantes, como para o ingresso de novos servidores nas Universidades Estaduais locais.

Tenho, contudo, que faltou àqueles que aprovaram essa infâmia um conhecimento maior acerca da formação da sociedade brasileira. Ou seja, um melhor conhecimento da História do Brasil porque essa proposição promove verdadeiro apagamento dessa memória.

Qualquer estudante brasileiro, quando da sua iniciação escolar, aprende acerca dessa formação. Todos, portanto, sabemos que os indígenas, negros e brancos compõem a base dessa pirâmide social.

E, também, sabemos quem ocupa(ou) o ápice dessa mesma pirâmide e, como se dá(eu) essa injusta estratificação social. É do conhecimento geral que, desde a chegada das caravelas por estas terras, as oligarquias e suas Corporações ditam(ram) as regras do jogo.

Assim, recorrendo à História, a partir de 1850, com o fim do tráfico de escravos foi incentivada a vinda de imigrantes europeus. Estes – recém chegados e, de imediato – já foram contemplados com inúmeros benefícios do Estado brasileiro, como a titularidade de terras públicas.

Por sua vez, o negro que aqui já estava instalado desde os primórdios da colonização portuguesa – com a alforria ensejada pela Lei Áurea, de 1888 – saiu da senzala para a favela, não tendo nenhuma política pública de acolhimento. Uma monstruosidade!

Essa reparação histórica foi, todavia, efetuada – somente quase 500 anos depois, se considerarmos o início do tráfico de escravos no Século XVI – quando do lançamento das políticas de inclusão social nos anos 2000.

Assim, urge que esse retrocesso seja, devidamente, afastado para restabelecer a justiça ora negada.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília – 14/12/2025