
O VIGÁRIO DA CAMPANHA.
Clayton Rocha*
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Um padre venerado em Piratini e na Colônia Maciel. E Dom Joaquim Ferreira de Mello, o Bispo de Pelotas, viajaria a “Dois Irmãos” – em novembro de 1933 – para conferir, ele próprio, a Ordenação Presbiterial a Reinaldo Wiest.
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O livro “O Vigário da Campanha” o mostra por inteiro: o desapego material por inteiro e a capacidade de sentir – a valer – as dores alheias. A pé ou a cavalo, lá nas estradas de chão batido, o endereço de suas andanças, ele deixou de herança ao seu povo a admirável força de seu nome; a luminosidade de sua alma; os sinais permanentes de amor ao próximo; além dos louváveis e infindáveis gestos de desapego aos bens materiais.
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Muitos vultos do Rio Grande do Sul observaram os seus feitos e não pouparam adjetivos em textos sobre a caminhada terrena do padre Reinaldo Wiest. E um deles, o consagrado escritor Luiz Carlos Barbosa Lessa, não economizou palavras para descrevê-lo de acordo com o conselho bíblico: – “vai, dá tudo o que tens aos pobres e segue-me!” E ele o fez.
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Padre Reinaldo distribuía entre o seus paroquianos necessitados tudo o que possuía. Tempos houve em que dormia no chão duro, num quartinho que servia de sacristia, sala de jantar cozinha e dormitório. E só tinha uma batina, porque as outras ele as distribuía entre os indigentes da redondeza. E era com essa batina que o Vigário de Piratini celebrava Missas, fazia viagens a cavalo e trabalhava na horta de enxada em punho, num tempo em que a “Capital dos Farrapos” era uma cidade digna deste título.
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E então viria a construção da “Casa do Pobre”, criada por espíritos abnegados que tinham uma missão central: auxiliar os desvalidos, garantir-lhes o sustento, vestir os nus e maltrapilhos para que pudessem frequentar as Missas.
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Depois de encantar e comover o povo de Piratini, Padre Reinaldo receberia uma nova missão: – a de atuar na Colônia Maciel, cuja população era formada de descendentes de imigrantes italianos, todos católicos; e de colonos alemães, em sua grande maioria evangélicos. Pois foi nesse seu novo endereço, graças à topografia da região, ao amor à terra e ao trabalho dos agricultores, e sobretudo à profunda religiosidade dos fiéis, que esse ambiente o fez recordar aquele seu rincão natal: – o Morro Reuter, o visual que se repetia agora, o cenário que lhe permitia sentir-se mais uma vez em casa.
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Caro leitor: esses registros de hoje – muitas décadas adiante dos anos 30 – nos mostram, através de pequenos trechos identificadores de seus méritos, todo o significado de sua obra em benefício das comunidades de Piratini e da Colônia Maciel. Aquele que costumava afirmar que Deus está nos detalhes também lembrava que só os bons sentimentos podem unir-nos uns aos outros; e que nunca o interesse determinou ligações firmes. Para Reinaldo Wiest, um homem que acostumou-se a uma vida simples e limpa, um coração sem mácula seria incapaz de tremer!
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Lá na sua Piratini de quase uma vida inteira Reinaldo Wiest aprendeu, durante o convívio com tantos corações inocentes de sua Paróquia, que se a última etapa de um homem de gênio é a simplicidade, uma só palavra seria suficiente para purificar a alma humana: – A “Caridade”, resumo de todo o Cristianismo! (CR).
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*Jornalista e criador do Treze Horas há 48 anos.











