NADA A CELEBRAR

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NADA A CELEBRAR

Ivon Carrico*

Em 2 de outubro de 1992, para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), uma intervenção da PM/SP- Polícia Militar do Estado de São Paulo causou a morte de 111 detentos. Esse triste episódio ficou conhecido, nacionalmente, como o ‘Massacre do Carandiru’.

Os Estados Unidos, a China e o Brasil são os três países com as maiores populações carcerárias do mundo. Os Estados Unidos têm 2 milhões de detentos, a China possui 1,7 milhão e o Brasil em torno de 850 mil pessoas presas.

Bem, decorridos 33 anos da morte dos 111 detentos no Carandiru e, diante dessa imensa população carcerária, pergunto: a criminalidade brasileira, nesse período, diminuiu?

Quais os avanços ocorridos – nesse hiato de tempo – que, mininamente, permitem ao cidadão brasileiro celebrá-los? Os sucessivos Governos e o Congresso têm tido pautas efetivas nessa seara? Nosso Judiciário tem sido eficaz no combate à criminalidade?

No inicio dos anos 2000 tivemos algumas excelentes iniciativas, como as chamadas ‘políticas de inclusão social’. Mas, muito mais precisa ocorrer.

Entretanto, mesmo diante dos significativos avanços dessas práticas inclusivas, persiste – ainda – uma grave distorção, causada pela assimetria existente em nossa pirâmide social decorrente da nossa formação como País.

O DNA dessa desordem (que causa tanta indignação, revolta e, …violência) pode estar na perversa atuação das tantas Corporações que atuam, dentro e fora do Estado brasileiro, privilegiando poucos em detrimento de muitos, desde os primórdios deste País.

Ontem, as degradantes cenas dos 119 cadáveres estirados nas ruas do Rio de Janeiro, mais uma vez, emulam a tragédia diária que solapa nosso País. É a mostra mais sincera da nossa derrota moral. Nada a celebrar.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília – 31/10/2025