ARTIGO – CONVERSAS

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CONVERSAS

Paulo Grigoletti Gastal*

Os humanos ingressaram na Idade da Fala e da Linguagem, iniciada aparentemente, segundo alguns historiadores, com o aparecimento do Homo sapiens. Eles começaram a falar entre 90 e 40 mil anos atrás. Nessa época, realizavam-se representações de animais e seres humanos em osso, pedras e marfim. A comunicação, a conversa foi uma evolução que alterou as relações humanas e os antagônicos passaram, através dela, a diminuírem hostilidades.

Hoje o diálogo é peça fundamental da evolução em todos os sentidos da nossa vida, principalmente com aqueles que divergem de nossas ideias. Não conversar com extremos é sim uma forma de extremismo. Nada é mais extremista do que acreditar que só a sua voz merece ser ouvida.

O rótulo de “extremista” virou justificativa para silenciar e excluir. Qualquer pessoa que discorde do seu ponto de vista pode ser, no íntimo, carimbada como extremista. Assim, a palavra perde densidade e se transforma em arma, usada tanto à direita quanto à esquerda para desqualificar o outro e interditar a conversa. Regredimos adotando tal posicionamento.

Muitos se dizem moderados porque recusam qualquer diálogo com posições radicais. Mas essa atitude, que à primeira vista nos parece prudente, é apenas outra forma de extremismo: Recusar o diálogo com quem discorda de nós é, em si, um ato de extremismo.

Quando alguém (seja indivíduo ou grupo) se acha no poder de definir o que pode ou não ser discutido, ou de rotular quem é ou não extremista, assume para si uma autoridade moral absoluta. E esse gesto não é exclusivo: tanto à direita quanto à esquerda vemos essa prática, como se cada lado tivesse o monopólio da virtude. Isso não é equilíbrio, é autoritarismo.

É evidente que não se trata de validar discursos de ódio ou violadores de direitos, mas sim a diferença de ideias e a troca de perspectivas, que são os pilares da democracia; estar aberto ao diálogo com os diferentes é o primeiro passo para construir um novo caminho.

O verdadeiro moderado não é aquele que evita o confronto, mas quem o enfrenta com firmeza e princípios. A democracia não se sustenta em neutralidades confortáveis, mas na coragem de expor contradições, desmontar falácias e oferecer alternativas.  A democracia exige coragem.

Coragem para ouvir, para discutir e para suportar a diferença. Negar-se a isso é apenas trocar um extremismo por outro.

*Advogado, presidente do PP-Progressistas em Pelotas.