PRÁTICA REFLEXIVA

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Prática reflexiva

Neiff Satte Alam*

Nossa circunstancial posição relativa neste concerto dinâmico que é nossa existência, não altera os princípios que conduzem e gerenciam nossos passos.

A autonomia que rege nossa consciência deve ser o indicador de que temos o direito de ter opiniões diferentes dos demais, sem quebrar a harmonia das relações interpessoais e sempre permitir que a pluralidade de pensamento e de ideias flua pelos caminhos do bom senso.

O que pode fortificar estas ideias e encaminhar formas mais maduras de entendimento, quando a realidade se mostrar adversa e exigir mudanças, é desenvolver uma técnica pouco usual, tanto na nossa atividade pedagógica como nas nossas discussões sobre fundamentos e filosofia da educação, estou me referindo a uma necessária e indispensável “prática reflexiva”, antes, durante e depois de cada ação.

Muitos dos nossos colegas professores (estou me referindo aos professores que profissionalizaram o ofício do professor) lutam para que seus alunos desenvolvam esta prática, buscam aprimorá-la na medida em que é essencial para o entendimento de suas realidades – tanto a do professor, quanto a do aluno.

Apesar da visão necessária de que as ações do dia a dia, tanto na atividade profissional como nas responsabilidades corporativas, devam primar pela compreensão de “complexidade” e de “sistema”, é importante se deixar muito claro que as individualidades (partes) não desaparecem, nem deixam de ser importantes, mas devem se conectar firmemente para que os resultados das ações, quaisquer ações, partam do indivíduo sem comprometer o todo.

Ampliando esta visão de complexidade, somando ao sistema educacional o sistema sócio-cultural, que é o contexto da escola, coloca-nos na obrigação de, através de uma firme “prática reflexiva durante a ação”, coisa que só pode ser feita por pessoas desprovidas de sectarismos preconceituosos e alicerçadas por interesses puramente educacionais, propor uma imediata normalização das atividades escolares, onde possamos partir para uma outra “prática reflexiva” que é a que se dá depois da ação, sem ignorar as dificuldades impostas por algum grupo minoritário, provavelmente sem a devida compreensão de como é importante o retorno das atividades de sala de aula.

É importante que as práticas pedagógicas, o trabalho de recuperação urgente das ações interrompidas e tudo o mais que envolver nossas escolas tenham um nível alto de superação e que tudo o mais se dobre a vontade popular, mesmo que nossas superficiais diferenças apenas identificadas em momentos de crise tomem indesejáveis proporções e venham a prejudicar nossos alunos.

*Biólogo, Professor de Biologia e Especialista em Informática na Educação. Participa do Treze Horas desde a sua criação, em 1978