
RUY CARLOS OSTERMANN.
Por José Luís Marasco Cavalheiro Leite*
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Há pessoas que parecem ser exatamente o que são. Reproduzem em seus gestos e em suas palavras, com autenticidade, a essência de seu ser. Há os que parecem ser mais do que são (e como há os que buscam projetar imagem maior de si próprios!) Estes são os enganadores de todos os tempos, cujas falsas dimensões conseguem, hoje, ser multiplicadas pelas técnicas do Marketing, na veiculação global da mídia eletrônica. Em relação a eles, em dias de comunicação de massa, temos de estar atentos, para não perdermos o exercício de nosso juízo pessoal, deixando-nos levar pelas louvações impostas pelos que comandam a opinião pública.
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Há os que são mais do que parecem ser. Sobre estes, temos a possibilidade do exercício da descoberta, quando vislumbramos, com prazer, os mistérios e os encantos recônditos dos que-fazeres comuns de seus dia a dia.
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Ruy é uma dessas pessoas que nos deixam entrever grandeza nas coisas simples que fazem. Mais do que isso: Ruy ensina-nos a ver grandeza na banalidade de um jogo de futebol, desvelando no exercício do esporte um pouco da natureza humana em sua ânsia de realização e de afirmação. O dia a dia de Ruy que conhecemos, é o da crônica esportiva. Prosaico dia a dia para qualquer brasileiro, que, ao final das domingueiras esportivas, alça-se, como nosso homenageado, à posição de crítico de estratégias futebolísticas e da virtuosidade dos craques e dos pernas-de-pau de seus times de coração.
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Nas palavras de Ruy, porém, houve sempre mais do que uma explicação do jogo. Por elas, fomos levados, sempre, a perceber algo mais do que apenas planos táticos ou desenrolar de lances ou jogadas em uma partida de futebol. Ruy, brilhante professor de Filosofia, conduziu aos de nossa geração a fazer do futebol não só uma prática esportiva, como um veículo de meditação da vida.
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E como foi ele feliz, em suas falas esportivas!
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De alguma forma, os ouvintes de seus comentários esportivos apreenderam com ele um pouco de Metafísica, tanto quanto passaram a buscar o que constituía, afinal, a essência de uma vitória ou de uma derrota; todos, de outra parte, partilharam com ele de inquietações epistemológicas, relativas à transmissão efetiva do conhecimento de uma tática de jogo, muitos, ainda, com ele, encheram-se de esperanças em uma redenção final, como em uma aula de Teologia, antes do apito do Árbitro Infalível; outros tantos, discutiram com ele vantagem do inatismo do conhecimento futebolístico dos brasileiros, ante à aquisição do conhecimento de jogadas pela empiria, dos europeus. Houve, também, os que se enriqueceram de percepção Estética, quando lhes foi ensinada, por ele, a beleza essencial de uma famosa tabelinha entre Escurinho e Falcão; como, de outro lado, houve os que meditaram sobre a Ética que deve presidir qualquer disputa, como, de resto, o próprio jogo da vida social.
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A crônica esportiva enriqueceu-se com Ruy Carlos Ostermann.
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Ruy, decididamente, não foi apenas o que parecia ser: um simples comentarista de futebol. Deixou-nos entrever ser ele – como de fato é – muito mais: uma pessoa de rara sensibilidade, de profunda humanidade e com uma transcendente capacidade de mostrar-nos os fatos além de suas meras aparências.
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Homenagem prestada – no passado – a Ruy Carlos Ostermann, durante fala do professor José Luís Marasco Cavalheiro Leite na Cidade de Pelotas.
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*Professor e jurista











