ARTIGO – OS PREDADORES SOCIAIS

397
Martin Luther King Jr., líder dos direitos civis faz um discurso para uma multidão de aproximadamente 7.000 pessoas em 17 de maio de 1967 no Sproul Plaza da UC Berkeley em Berkeley, Califórnia, nos Estados Unidos • Michael Ochs Archives/Getty Images

OS PREDADORES SOCIAIS

.
Ivon Carrico*
.
Hoje, tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, a ordem mundial, como a nacional têm sido dilapidadas em nome de conceitos vagos e mutáveis, conforme a conveniência.
Prevalece uma retórica chauvinista na defesa de interesses corporativos, pouco defensáveis. Para tanto, aqui, como lá, a democracia nunca foi tão banalizada.
.
Levaremos muito tempo para avaliar e quantificar o real estrago produzido. E, quiçá, responsabilizar todos aqueles que têm dado causa a tantos disparates.
.
Com a institucionalização da desordem vigora a certeza da impunidade que, por sua vez, impulsiona a desonra e a falta de pudor.
.
Diuturnamente, somos bombardeados com fatos estarrecedores. Difícil até de acreditar que a natureza humana seja tão pérfida.
.
Esses péssimos exemplos, vindos de quem – exatamente – deveria promover a justiça e a equidade social, evidenciam a indignação que brota alhures e por estas bandas.
.
Aqui, volto a insistir na ‘profecia’ do grande ativista americano Martin Luther King que, nos idos de 1960, se destacou pelo discurso em favor dos princípios básicos em prol da dignidade humana.
.
Dizia ele que o que mais o incomodava era o ‘silêncio dos bons’. Para ele, essa deliberada omissão permitia o discurso contrário. Ou seja, o ímpeto desses verdadeiros predadores sociais. Até quando?
.
*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília – 03/02/2026