ARTIGO – O DESSERVIÇO DA IMPRENSA

189

O DESSERVIÇO DA IMPRENSA

Ivon Carrico*

A democratização da informação trouxe em seu bojo, não somente a consolidação do conhecimento, mas e – também, por consequência – a ruína de muitos empoderamentos ao longo da história.

Foi assim com a invenção da escrita pelos sumérios, antigo povo da Mesopotâmia (atual Iraque), 4.000 anos antes de Cristo, depois com a invenção da imprensa por Gutemberg, no Século XV, e será – ou melhor – está sendo com o advento da Internet.

A possibilidade do acesso e da disseminação da informação tragou e tem tragado possíveis monopólios da verdade e nichos de poder.

Entretanto, como jabuti não sobe em árvores, pessoas e/ou entidades a serviço de determinados projetos de poder, têm sido inoculados, sub-repticiamente, em espaços públicos nessa mesma imprensa, como também, nas redes sociais para disseminar inverdades, as chamadas ‘fakenews’, para – com isso – tentar angariar e assegurar, também, seus
privilégios em um novo nicho de poder.

O processo começa com a desconstrução e a detratação inicial do possível oponente para, depois, então, o serviço ser completado com a sua total desqualificação e dos seus propósitos.

Assim, nesse diapasão, a edição dominical da Folha de São Paulo, na Coluna do Ombudsman, nos contempla com uma inusitada e despudorada peça acerca das pretensões políticas do ex-Juiz e ex-Ministro, Sérgio Moro e, de troco, do Presidente Bolsonaro.

O termo ‘ombudsman’ surgiu na Suécia em 1809. Naquela época era a pessoa responsável pela interlocução entre o Parlamento e o povo. Em rápida pesquisa verifiquei que o Ombudsman jornalístico foi criado, em 1967, nos Estados Unidos. E, no Brasil, em 1989, nessa mesma Folha de São Paulo.

Os pressupostos para a atuação desse profissional seriam: a melhoria na relação com o cliente, a transparência nas informações e a maior credibilidade.

Todavia, o que o atual Ombudsman desse periódico escreveu é, exatamente, o oposto desses pressupostos. Inacreditável a parcialidade, a tendenciosidade, a falta de parcimônia e a má-fé desse Jornalista.

Ainda bem que a democratização da informação pode nos ajudar a melhor discernir e a evitar a manipulação de consciências por esses novos arautos da verdade.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. (Brasília, 12/12/2021).