CIDADE DO AGRO: DA MOBILIZAÇÃO DURANTE AS ENCHENTES, NASCE PROJETO QUE QUER TRANSFORMAR A METADE SUL DO RS

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A Cidade do Agro nasce justamente dessa confiança construída na prática”, afirma Lauro Ribeiro, participante do Projeto Drenar e idealizador da Cidade do Agro. Foto: Tuíra Barcellos

A Partir da mobilização durante as enchentes, nasce projeto que quer transformar a Metade Sul do RS em ecossistema permanente do agronegócio.

Lançada sexta-feira, 09/07, a Cidade do Agro se propõe a reunir educação, pesquisa, inovação, cultura e negócios para impulsionar o desenvolvimento regional.

Pelotas (RS) – que começou como uma mobilização para enfrentar uma das maiores tragédias climáticas da história do Rio Grande do Sul agora ganha uma nova dimensão. Apresentada oficialmente na quinta-feira (9), durante um evento que reuniu cerca de 300 parceiros e convidados, a Cidade do Agro entrega um ambiente permanente onde empresas, universidades, pesquisadores, produtores, consumidores e o governo podem trabalhar lado a lado durante todo o ano.

A origem da iniciativa remonta ao Projeto Drenar, movimento criado para mitigar os impactos da inundação durante as enchentes que atingiram o Estado em maio de 2024. A experiência mostrou aos participantes que a capacidade de articulação construída em um momento de crise poderia ir além da resposta emergencial e se transformar em uma plataforma permanente de desenvolvimento para a região. “A enchente mostrou que, quando diferentes setores trabalham juntos, conseguimos fazer muito mais do que a gente imagina.

A Cidade do Agro nasce justamente dessa confiança construída na prática”, afirma Lauro Ribeiro. Foto: Tuíra Barcellos

A Cidade do Agro nasce justamente dessa confiança construída na prática”, afirma Lauro Ribeiro, participante do Projeto Drenar e idealizador da Cidade do Agro. O empreendimento já está virando realidade em uma área de 200 hectares às margens da BR-293, entre Pelotas e Capão do Leão. Durante o lançamento, os organizadores apresentaram o cronograma de implantação, estruturado em etapas para que o ecossistema comece a operar desde o primeiro ano. A primeira delas prevê a instalação de 46 espaços de relacionamento e de Unidades Demonstrativas, como são chamadas as parcelas de uso exclusivo com 700 metros quadrados destinadas à apresentação de tecnologias, sementes, máquinas, insumos e outras soluções em condições reais de campo. Em seguida, o projeto avançará para a criação das Estações de Pesquisa Agropecuárias, voltadas à experimentação e validação científica de novas tecnologias agrícolas adaptadas às características de solo e clima da região.

A estrutura inicial contempla áreas para cultivo de grãos, bovinos, ovinos, aves, pomares, hortifruti em cultivo protegido, sistemas florestais e silvicultura, mas a ideia é expandir para novas cultivares e linhas de pesquisa. A última etapa será a construção do prédio do Instituto Cidade do Agro, que abrigará programas de educação, pesquisa aplicada, inovação, eventos técnicos e um centro de eventos voltado à integração dos diferentes atores do setor. “Começamos pelas Unidades Demonstrativas porque elas permitem colocar o projeto em funcionamento desde o primeiro momento.

A Estação de Pesquisa vem na sequência, quando forem concluídos os credenciamentos regulatórios e formalizadas as parcerias científicas”, explica Tuíra Barcellos, diretora técnico / científica da Cidade do Agro. Mais do que criar uma nova infraestrutura, a Cidade do Agro procura enfrentar uma característica histórica do setor: boa parte do relacionamento entre empresas, produtores e pesquisadores acontece apenas durante feiras e exposições.

A proposta é oferecer um ambiente ativo durante todo o ano, onde demonstração de tecnologias, pesquisa, capacitação e geração de negócios aconteçam de forma contínua. Para os idealizadores, os impactos vão além do agronegócio. Ao aproximar conhecimento, inovação e mercado, o projeto busca atrair investimentos, estimular a formação de profissionais, fortalecer empresas e ampliar a competitividade da Metade Sul, contribuindo para um ciclo permanente de desenvolvimento econômico e social.

Um ativo para somar Os organizadores destacam que a Cidade do Agro não pretende substituir feiras ou eventos já consolidados. A proposta é complementar esse calendário com uma estrutura permanente, capaz de manter o setor conectado o tempo todo. “Produção, pesquisa, comércio, educação e relacionamento, todos no mesmo território durante os 365 dias do ano. Queremos criar um ambiente onde conhecimento, negócios e desenvolvimento realmente caminhem juntos”, resume Lauro Ribeiro.

A Cidade do Agro em poucas palavras
A Cidade do Agro é uma plataforma concebida para fortalecer as cadeias produtivas do agronegócio gaúcho por meio da integração entre empresas, universidades, pesquisa e inovação. Localizada entre Pelotas e Capão do Leão, prevê a implantação gradual de Unidades Demonstrativas, Estações de Pesquisa e do Instituto Cidade do Agro, formando um ambiente permanente de colaboração e desenvolvimento regional.