MEMÓRIA DO TREZE HORAS: MÁRIO SOARES ASSUME PROJETO CRIADO PELO PROGRAMA

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Mário Soares e Clayton Rocha na Embaixada do Brasil em Lisboa, durante cerimônia alusiva as comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. O evento em Lisboa foi parte integrante do projeto LUSO GRANDE DO SUL – Brasil 500 Anos, criado pelo Treze Horas, em 1996.

O ‘Memória do Treze Horas’ deste domingo relembra um fato inusitado, uma conquista ímpar do programa ao longo das mais de quatro décadas de existência ininterrupta: Um ex-chefe de estado assumindo um projeto cultural criado por um programa radiofônico de uma emissora do interior do Rio Grande do Sul. Pois foi o que aconteceu: o ex-líder, primeiro ministro e presidente português, Mário Soares, com distinção, tornou-se presidente de honra do LUSO GRANDE DO SUL – Brasil 500 Anos, criado – projeto criado pelo Treze Horas – para as comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. Numa solenidade na Embaixada do Brasil em Lisboa, Portugal, Soares tornou-se presidente de honra do Luso. Relembre:

MÁRIO SOARES ASSUME LUSO E FALA DA AMIZADE COM BRASIL 

Em discurso pronunciado diante dos microfones da “ Rede dos 500 anos”, hoje responsável por 110 emissoras dos dois países, o ex-Presidente de Portugal Mário Soares disse que “ o seu amor pelo Brasil é antigo” e que a sua presidência procurou estreitar laços e valorizar a irmandade. Ele se disse feliz em poder fazer estas declarações através do rádio, em rede bi-nacional, porque “ o rádio é o veículo mais forte que existe, pela sua instantaneidade, pela capacidade que tem de atingir pessoas, o que o torna mais importante que a própria televisão.”  Eu, agora, disse o ex-Presidente da República, tenho dois compromissos para 1998: a Expo-98 de Lisboa e o Projeto Luso Grande do Sul. Saberei honrá-los.”

Mário Soares, ex-Presidente e ex-Primeiro Ministro, lembrou, em sua fala, que “ no tempo de Salazar, havia uma doutrina no Ministério dos Negócios Estrangeiros: o Brasil era um país concorrente de Portugal em África. Por outro lado, a América Latina devia ser deixada aos espanhóis,  para que Portugal melhor pudesse concentrar-se em África. Sempre achei esta doutrina um perfeito disparate. O Brasil é – e cada vez o será mais – um país de uma decisiva importância para Portugal. É uma grande potência econômica, fala a nossa língua, acolhe milhões de portugueses e de luso-descendentes, há entre nós laços profundos de uma enorme afetividade, que não devem ser menosprezados, tem um peso demográfico decisivo na área da lusofonia. Como ignorar o Brasil ou desvalorizar a sua dimensão no Mundo ? Seria uma perfeita loucura!  O Brasil é um aliado natural de Portugal, é um país irmão, deve ser, portanto, uma das prioridades da nossa política externa. Dito isto, que sempre foi o que pensei, importa corrigir a imagem que Portugal tinha no Brasil e melhorar a imagem do Brasil em Portugal. O nosso país, para o Brasil, era um velho e querido país, implicado nas raízes do seu desenvolvimento, mas atrasado, pequeno, sem peso no Mundo. Depois do 25 de abril – e sobretudo depois da nossa integração na Comunidade Europeia – esta imagem estereotipada começou a mudar. Pelo nosso lado, também compreendemos que o Brasil é um país-continente, de grandes contrastes, onde coexistem áreas de grande desenvolvimento, verdadeiramente típicas do Primeiro Mundo, com outras, de enormes atrasos e carências. Portugal tem um espaço no Brasil que deve saber preencher. Felizmente, alguns grandes empresários portugueses começam a compreender as imensas oportunidades que se lhes abrem nesse imenso país irmão. A minha primeira visita, como Presidente da República, representou, desde logo, um gesto de grande solidariedade e respeito pelo Brasil, e teve como primeira preocupação conseguir um maior conhecimento recíproco. Era fundamental consolidar, no Brasil, a imagem de Portugal como um país moderno,  aberto à Ciência e às novas tecnologias, com prestigiadas Universidades,democrático, politicamente estável e economicamente em grande desenvolvimento, integrado na Europa da CEE e prestigiado na cena internacional.

 LIÇÃO DE INTEGRAÇÃO

Este Projeto Luso Grande do Sul, cujas ações voltam-se para os 500 anos do Brasil, vindo de Pelotas, no extremo-sul do Brasil, é uma verdadeira lição de integração que as Universidades estão dando a todos nós, disse Mário Soares. “ Aceitei o convite para ser o seu Presidente de Honra porque o Projeto brasileiro me parece ser o primeiro passo concreto para os grandes eventos de abril de 2.000”. A Fundação Mário Soares, a Associação Internacional dos Oceanos e a Expo-98 serão apoios desta iniciativa da cidade de Pelotas, cujos Reitores, das instituições que o criaram, aqui se encontram, juntamente com o sr. Vice-Governador do Rio Grande e com o sr. Vice-Presidente da Assembléia, destacou Mário Soares. “ Quero dizer uma palavra aos coordenadores do Projeto, que me procuraram no ano passado. O entusiasmo e a energia deles garantiram o sim que lhes pronunciei. Aceito, sim, e me disponho a trabalhar em equipe, em nome de Portugal, em nome do Brasil. E tive oportunidade de dizer isso ao Presidente Fernando Henrique, recentemente, em Brasília, no Planalto.”  Para Mário Soares, “ os gaúchos se anteciparam, e esta grande solenidade, aqui na Embaixada, tão prestigiada pelas autoridades dos dois países, prova, por si só, a extensão deste Projeto Luso Grande do Sul.”

O ex-Presidente português disse que o simples fato de estar falando pela Rádio Difusão Portuguesa e pela Rádio Antena 1, e sendo ouvido em toda Portugal, Ilha da Madeira e Açores, dimensionava a importância que o seu país estava dando à Rede dos 500 anos, “ esta idéia magnífica, que partiu de um homem de rádio, e que servirá para a prática da língua portuguesa na hora festiva maior de brasileiros e portugueses, lá no ano 2.000.”  O ex-Presidente saudou o Presidente da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses, Antonio de Hespanha, presente ao ato, “ visto que Portugal, com a sua presença, oficializa uma iniciativa brasileira, vinda das Universidades, de duas Universidades do RS, e que objetiva alcançar, aos poucos, por etapas, nos próximos dois anos e meio, todos os recantos dos nossos dois países.”